Áreas de Intervenção

Actividade Clínica e Actividade de Formação

Actividade Clínica

Triagem diária

A consulta de triagem funciona num regime de “porta aberta” que pretende fornecer um atendimento rápido e urgente, sem os habituais passos burocráticos. Esta consulta efectua um acolhimento ao adolescente e/ou aos familiares que o acompanham, que passa pela recolha de dados sobre o risco de suicídio, características da tentativa de suicídio, existência de patologia psiquiátrica, problemas actuais do adolescente e da família e avaliação dos factores protectores e da rede de suporte social.

Intervenção terapêutica

O modelo terapêutico assenta num paradigma de intervenção sistémica, que engloba uma abordagem individual e familiar e, se necessário, uma intervenção na rede social (escola, comunidade, etc).

– A terapia individual baseia-se numa psicoterapia de intervenção na crise dirigida para a resolução dos problemas concretos do adolescente. Em algumas situações, é proporcionada uma psicoterapia mais longa de orientação analítica. Aliada a estas intervenções, sempre que necessário, recorre-se a uma intervenção psicofarmacológica, nomeadamente antidepressiva.

– A intervenção familiar é realizada, de acordo com a gravidade da problemática familiar, da adesão da família e da capacidade de reorganização familiar face à T.S. do adolescente, podendo ir de uma entrevista familiar até uma terapia familiar sistémica.

Actividade de Formação

O NES ministra formação contínua a vários técnicos e agentes sociais:

  • Internos do internato complementar de Psiquiatria e psiquiatras;
  • estagiários do curso de Psicologia e psicólogos;
  • clínicos gerais;
  • sociólogos;
  • Professores e agentes educativos.

Além da formação contínua, o NES realiza também acções e cursos de formação em escolas e outras instituições.

Nas escolas secundárias, as acções de formação decorrem em 4 níveis:

  • Intervenção na crise suicidária;
  • seminários de informação sobre adolescência;
  • reuniões de gestão conflitual;
  • acções de formação pós-graduada aos técnicos escolares.

Ao nível das outras instituições, têm sido realizadas actividades de formação em Escolas Superiores de Enfermagem e em Centros de Saúde.

Foram também organizados vários cursos de formação:

Curso para professores sobre a problemática do suicídio juvenil (40h);
Curso “Suicídio, Tentativa de Suicídio e Para-suicídio na Adolescência” para técnicos superiores de saúde, em parceria com o Instituto Superior de Psicologia Aplicada (30h).

Actividade Científica

Desde 1990, a actividade de investigação científica tem-se centrado em:

Tentativa de suicídio juvenil – caracterização e follow-up dos casos que acorrem ao NES, através de uma pesquisa dos factores subjacentes às condutas suicidárias e de uma avaliação efectuada dois anos após a intervenção terapêutica;
Comportamento de risco nos adolescentes – tem como objectivo a prevenção de comportamentos identificados como desencadeadores de condutas suicidárias, recorrendo a uma metodologia de Autópsia psicológica.
Representações sociais do suicídio adolescente – temos vindo a desenvolver um trabalho de Investigação empírica sobre o suicídio adolescente, com jovens escolarizados, cujos resultados nos merecem a maior atenção.

Actividade de Difusão

Entre as actividades de difusão que empreendemos, salientamos:

  • Organização do Encontro anual sobre Adolescência (cada Encontro constitui um espaço de divulgação, de formação, de partilha de experiências, de diálogo. É especialmente dirigido a pais, professores e técnicos de saúde; engloba conferências sobre grandes temas – para os quais são convidados os melhores técnicos especialistas em cada uma das áreas em análise -, mesas de debate temáticas e oficinas de trabalho/formação temáticas. O Encontro é não só um espaço de divulgação mas igualmente de formação. Decorre, normalmente, em dois dias, em Novembro);
  • produção de textos científicos;
  • produção de artigos de divulgação nos meios de comunicação social*;
  • produção de livros dirigidos ao público em geral.

*Nota: neste âmbito sugerimos a leitura atenta de um texto da autoria do Departamento de Saúde Mental da Organização Mundial de Saúde, traduzido para português por Mário Proença