O suicídio pode ser compreendido como o resultado da interacção de três factores importantes: pressão/stress social, vulnerabilidade individual e disponibilidade dos meios para cometer o suicídio

O suicídio pode ser compreendido como o resultado da interacção de três factores importantes: pressão/stress social, vulnerabilidade individual e disponibilidade dos meios para cometer o suicídio.

As estratégias preventivas, sejam primárias ou secundárias, devem actuar directamente sobre estes factores. Estas estratégias devem incluir: criação de serviços de apoio e promoção da sua utilização; desenvolvimento de programas com a finalidade de promover estratégias de resolução de problemas e a auto-estima; aumentar o conhecimento e a consciência das pessoas para a problemática do suicídio; e restringir o acesso aos métodos auto-destrutivos.

Para além destas estratégias, deve procurar-se que os dados sobre suicídio no que diz respeito à sua epidemiologia e ao tratamento clínico, sejam utilizados no desenvolvimento de programas preventivos e na investigação do fenómeno do suicídio de uma forma mais efectiva do que tem acontecido.


Criação de serviços de apoio e promoção da sua utilização

Muitos dos casos de ideação ou tentativa de suicídio não chegam aos serviços de psiquiatria ou a técnicos de saúde devido ao estigma que se encontra associado ao tratamento psicológico e psiquiátrico. Por isso é importante que existam outros serviços na comunidade que promovam a ajuda e o encaminhamento, desmistificando preconceitos e ideias erradas.

A eficácia destes serviços é tanto maior quanto maior for a facilidade de acesso e disponibilidade (ex: linhas telefónicas de apoio), quanto maior for a proximidade com a população a que se destinam (ex: serviços implementados nas escolas, nos centros de juventude, nos Centros de Saúde locais), quanto maior for a sua divulgação e difusão entre a comunidade e, sobretudo, entre os grupos a que se destinam (ex: apoio a grupos específicos como sejam vitimas de abuso e violência, toxicodependentes, abandono e insucesso escolar ou pessoas que lidaram com o suicídio directa ou indirectamente); e, finalmente, quanto maior for a consciência das suas limitações e articulação com os serviços de saúde especializados.

Fenómenos de suicídio epidémico ou imitativo (ver Suicídio e os Média) podem ser minimizados pela implementação de programas de controlo, onde a acção destes serviços em articulação com outras entidades, nomeadamente o serviço nacional de saúde, são de estrema importância.


Melhoria do diagnostico e do tratamento pelos profissionais de Saúde

Para a prevenção do suicídio e dos comportamentos suicidários é importante que os técnicos de cuidados de saúde primários estejam mais sensibilizados para as questões do suicídio adolescente.

Estes técnicos encontram-se na primeira linha dos cuidados de saúde e por isso têm a possibilidade de identificar precocemente adolescentes em risco de suicídio. Os seus serviços são solicitados antes dos serviços de técnicos mais especializados, nomeadamente os de saúde mental, daí a sua importância para a prevenção.

Sensibilizar os técnicos de cuidados de saúde primários deve passar por expandir os seus conhecimentos acerca dos factores de risco de suicídio como sejam a depressão, o uso de substancias tóxicas, comportamento anti-social, e comportamentos suicidários anteriores.

Formar e sensibilizar para esta problemática deve acontecer entre estudantes na área da saúde, como pediatras, médicos de família, clínica geral e das urgências, enfermeiros e outros profissionais ou paraprofissionais que trabalhem com populações tidas como de risco em diversos contextos (Escolas, prisões, abrigos, centros de acolhimento e tratamento de toxicodependentes, centros de apoio e atendimento a adolescentes).


Informar e consciencializar através da educação e dos média

Uma estratégia óbvia mas fundamental da prevenção do suicídio passa por "chegar" à pessoa em risco antes desta realizar o acto suicida, ou seja, ajudar quem se encontra em grande sofrimento psicológico antes que esta se tente suicidar.

Nas escolas são possíveis diversas abordagens eficientes no que diz respeito à prevenção do suicídio, nomeadamente leituras didácticas e reflexões em algumas disciplinas (por ex.: educação cívica, educação para a cidadania, desenvolvimento pessoal e social), debates, serviços de atendimento e apoio ao estudante (por ex.: psicólogo, médico escolar, assistente social), grupos de entre-ajuda, programas formativos para funcionários, intervenções dirigidas aos pais, programas de desenvolvimento de competências e campanhas de sensibilização para os alunos.

As escolas devem estar sobretudo orientadas para o bem-estar de toda a população escolar, muito atentas aos sinais e sintomas que podem indiciar comportamentos auto-destrutivos e preparadas para prestar elas próprias apoio ou encaminhar para serviços especializados.

Os média podem também ter um papel importante na prevenção enquanto fonte de informação à cerca do fenómeno do suicídio, dos factores de risco e da importância da detecção precoce de pessoas em risco. Os média poderão ser eficazes se a mensagem que transmitirem partir de fontes credíveis, clinica e/ou cientificamente conhecedoras da problemática do suicídio. No que diz respeito ao noticiar de casos de suicídio, as notícias devem respeitar algumas directrizes da Organização Mundial de Saúde, de forma a evitar ou reduzir os casos de comportamentos suicidários imitativos ou induzidos.

Em qualquer caso em que o tema suicídio seja abordado nos média, devem ser referenciados os serviços de apoio e a forma de os contactar.


Restringir o acesso aos métodos

Os métodos utilizados por quem pensa em suicidar-se dependem muitas vezes da disponibilidade dos meios e das características pessoais e situacionais, e podem variar muito no seu grau de fatalidade e de reversibilidade.

Nas tentativas de suicídio caracterizadas por grande impulsividade, a restrição do acesso ao método pode ser a melhor estratégia preventiva.

A disponibilidade de meios altamente letais, nomeadamente de armas de fogo ou de medicação potencialmente perigosa, aumenta a probabilidade de tentativas de suicídio bem sucedidas, isto é, que resultem na morte auto-provocada do indivíduo. Assim, é importante que se exerça algum controlo sobre a posse de armas de fogo, quer através de medidas governamentais, quer através da sensibilização junto dos pais possuidores de armas, para o seu perigo. A utilização de medicamentos deve igualmente ser sujeita a alguns cuidados, nomeadamente os médicos devem prescrever quantidades pequenas de medicamentos potencialmente perigosos, e os pais devem evitar a acumulação desse tipo de medicamentos em casa.

Outras formas de prevenir o suicídio dificultando o acesso aos métodos pode passar pela colocação de redes, ou outras estruturas de protecção, em locais ou edifícios potencialmente perigosos e proibir a venda livre de produtos e instrumentos que ofereçam perigo.


Algumas dicas

  • Falar sobre o assunto - dialogar com os jovens acerca dos seus problemas.
  • Ajudar as famílias (e se possível os amigos) de jovens que se suicidaram.
  • Identificar os grupos de alto risco - idosos, alcoólicos, toxicodependentes, jovens com comportamentos perigosos, etc.
  • Ajudar as pessoas em situação de (alto) risco - com claros traços depressivos, "comportamento estranho" continuado e fora do habitual, forte ideação de morte, tentativa de suicídio anterior, etc.
  • Estudar os factores precipitantes.
  • Multiplicar e divulgar as linhas telefónicas.
  • Nos serviços de saúde criar serviços de porta aberta (como no NES - HSM), de atendimento permanente.
  • Nas escolas criar dispositivos próprios - p.e., disponibilizar alguns professores para gabinetes de atendimento - actuando com prontidão e encaminhando alguns jovens para as estruturas adequadas.
  • Escutar, criar proximidades, COMUNICAR !
  • É fundamental o papel da Escola na Prevenção - o que passa, em muito, pela atenção (face a Sinais de Alarme) e pela "disponibilidade para ouvir" e dialogar por parte dos professores, com os alunos.

 

 
 
 
XXII Encontro da Adolescência
 
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