A ideia de que a adolescência é uma etapa de grandes conflitos entre pais e filhos, para além de errada, pode levar a que alguns pais condicionem a sua acção (relação) com os seus filhos, assumindo que as discussões, a distancia imposta pelos filhos e o isolamento no seu quarto evitando as situações familiares são sinais claros de um conflito entre o jovem e a família.

Do contacto directo com os adolescentes podemos constatar que a grande maioria se entende bem com pais e irmãos (Sampaio, 2006). E dos que não se entendem, dos que afirmam ter problemas de relacionamento com os pais, a quase totalidade manifesta desejo que essa relação se torne melhor, de se tornar mais próximo e de resolver os conflitos.

Neste sentido, tanto nas adolescências que correm bem como nas adolescências onde surgem problemas, é essencial "re-ligar pais e filhos" (Sampaio, 2006). E dizemos re-ligar porque todo o desenvolvimento implica des-envolver, isto é, deixar de estar envolvido pelos laços infantis e criar novos laços com maior maturidade (com novas pessoas mas também com as "velhas" pessoas). Alguns autores falam de um descontinuidade necessária, ou seja , mudança do investimento na família para um investimento nas relações extra-familiares (Coimbra de Matos, 1986).

Uma relação forte e positiva entre pais e filhos, desde a infância e com continuidade na adolescência, é um factor relevante para que um adolescente seja resiliente nas situações normalmente intensas e stressantes da própria adolescência, mas também para que o adolescente consiga sair de situações em que a patologia se instalou (depressão, ansiedade, ideação suicida, etc.).

 

 
 
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